sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Para SINTEPP a culpa é do MEC


Ao iniciar esta postagem faço os seguintes esclarecimentos:

- Não sou reacionário;

- Sou sindicalizado;

- Não gosto de escrever contra o sindicato, acho que não ganho nada ao desvalorizar o sindicato da categoria.

Mesmo com as convicções acima expostas, não posso fechar os olhos e fingir não reconhecer os equívocos da atual direção do SINTEPP. Como diria a canção de Milton Nascimento: “Quem perdeu o trem da história por querer, Saiu do juízo sem saber, Foi mais um covarde a se esconder”.

Não tenho vocação para a covardia!

Esta semana os professores da rede estadual de ensino realizaram duas paralizações, uma de caráter nacional e outra estadual. A primeira foi convocada pela CNTE e focava na reivindicação sobre o Piso Salarial Nacional dos Profissionais da Educação. A segunda convocada pelo SINTEPP tinha como eixo central o PCCR da categoria.

Os professores e técnicos em educação aderiram massivamente ao primeiro dia, segundo informações da própria SEDUC, a paralização foi de quase 100%. O segundo dia, registrou também significativo número de adesões.

Houve caso ainda de escolas que paralisaram os dois dias, mostrando a força da categoria e sua disposição para lutar pelos seus justos direitos: PCCR e Piso Salarial.

Há uma atitude inteligente da categoria em lutar pelo piso, pois de certa forma, se concretizado um valor nacional, a luta reivindicatória por melhores salários seria deslocada das esferas municipais e estaduais e seria travada no plano nacional: pressão sob o Ministério da Educação para a fixação de um piso, cujo valor seja corrigido anualmente, criando as condições para a melhor remuneração dos profissionais do magistério.

A luta nos municípios e estados seria para assegurar o efetivo pagamento do piso. Além é claro de lutar pelo PCCR, por melhor infraestrutura, por segurança nas escolas, pelo cumprimento integral do calendário escolar, por ensino de qualidade etc.

Quero dizer que os sindicatos estaduais ainda terão sua validade, ainda serão necessários como instrumentos da categoria para fazer avançar suas conquistas.

Para a categoria aderir ao chamado da CNTE foi uma opção lógica, legítima, e talvez isto tenha contrariado o SINTEPP. Medo de perder o papel de protagonista em defesa da categoria dos profissionais da educação. Este sentimento, talvez, explique o boicote do SINTEPP para o ato nacional em defesa do piso.

O SINTEPP não mobilizou para o dia 16, porém quase 100% dos professores paralisaram. O que pensar? 

A categoria se move cada vez mais com autonomia, com liberdade, sabe reconhecer qual a sua verdadeira luta. 

Para o SINTEPP a culpa pelos dois dias de paralização é do MEC, pelo menos é que está escrito no site do sindicato: 

“ABONO DAS PARALISAÇÕES - Em relação às paralisações dos dias 16 e 17 de agosto, o Governo reconhece que o MEC fez uma confusão, pois a prioridade defendida pela categoria foi o dia 17/08 e não no dia 16, com a complacência do MEC, pois foi encaminhada através de ofício às escolas de todo o Brasil que existiria uma paralisação nesta data e, que por isto, a Olimpíada de Matemática seria transferida para o dia 17/08, prejudicando a mobilização do SINTEPP e confundindo a categoria”. 


Esta visão é confirmada por um dos coordenadores do sindicato, veja a mensagem enviada por ele:

Caros/as,
 
Espero que tenham tido boas férias.

Nosso retorno nos impõe alguns encaminhamentos de luta - que inclusive foram deliberados por todos/as nós em junho.

Um desses encaminhamentos era e é a PARALISAÇÃO ESTADUAL NO DIA 17/08. A concentração está marcada para o trevo do satélite, de onde sairemos em Marcha até o Palácio dos Despachos para continuarmos a pressionar por nosso PCCR e pelo Piso Nacional.

Estivemos mobilizando na semana passada e sabemos do atropelo de informações, fruto da chamada da CNTE p/ a paralisação nacional. 

O MEC mudou a data da Olimpíada de Matemática p 17/8, por causa da Paralisação Nacional. Algumas escolas se anteciparam e decidiram aderir ao dia 16/8. Outras já remarcaram a prova para 18/8 e algumas preferiram realizar a prova e depois ir para o ATO do dia 17/8.

De qualquer maneira, nossa PRIORIDADE é a Marcha dia 17/08. Temos neste dia um foco e precisamos da unidade e participação de nossa categoria para buscarmos respostas que nos beneficiem.


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