sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Betinho e o Coletivo Canalha

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Certo dia assisti uma entrevista do sociólogo Betinho, o cara que inventou o fome zero, era no tempo da inflação alta, início dos anos 90, ele declarava que se um filho passasse fome não hesitaria em roubar para alimentá-lo, e sentenciava: o direito a vida precede ao direito de propriedade, o primeiro se impõe ao segundo.

Refletindo e buscando simetrias entre a fome de comida e a fome de cultura e seguindo a lição de Betinho, penso que se em Belém não existe política pública para o fomento cultural, temos que roubar os espaços culturais, fazer nossa apropriação/ocupação.

Isto já está ocorrendo, duas vezes por mês, uma sexta-feira sim e outra não, tem Batucada do Coletivo Canalha, movimento cultural que promove a ocupação do Bar do Parque e dialoga criticamente com imponente Teatro da Paz. Na batucada tem espaço para o samba, o carimbó, o chorinho e até o bom e bom e velho rock'n'roll!

É a canalha afirmando sua existência e “roubando” os espaços que foram construídos para deleite das elites de Belém.

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Hoje é dia de ocupação cultural, dia da canalha desfilar no Bar do Parque.

É preciso criar outros movimentos e ocupar outros espaços da cidade, tornar Belém mais permeável a cultura popular, estimular movimentos que combinem autenticidade e independência do mecenato estatal, este muitas vezes esvazia e aparelha o seu conteúdo, tonando-se tão daninho quanto o “deus mercado”.





Marcelo Carvalho

Um comentário:

Franz Kreuther Pereira Pereira disse...

Gostei muito da abordagem, Marcelo. Concordo e faço coro as suas considerações. Parabéns