A matéria reforça minha postura: leio blog, não leio jornal e nem revista.
Marcelo Carvalho
O meu Pará (de Belém) já dividido
por Jota Ninos (*)
Pra início de conversa sou filho de uma marapaniense (da terra do carimbó) que um dia cruzou com um comerciante grego e viveu uma paixão tórrida em alguma viela próximo ao Ver-o-Peso e me fiz belenense da gema. Vivi meus primeiros 15 anos de vida no microcosmo da elite de Belém, entre as praças da República e Batista Campos, vendo o mundo do 24º andar do maior espigão amazônico à época, o Manuel Pinto da Silva.
Desde o dia em que cheguei a Santarém, em março de 1978, comecei a descobrir um Pará que eu desconhecia. E entendi que o Pará estava, irremediavelmente, dividido em meu coração.
E este pode ter sido um dos maiores méritos da campanha de rádio e Televisão sobre o lebiscito, que se encerra hoje no Estado do Pará: o Brasil, assim como eu em 1978, começou a descobrir que existe um novo Pará entre tantos Parás que aqui sempre existiram!
Nunca antes na história deste Pará, a mídia nacional e internacional voltou seu foco com tanta insistência para o “sentinela do norte”, como é decantado em seu hino o estado representado pela estrela solitária acima da frase Ordem e Progresso, no Pavilhão Nacional.
Aliás, até o hino paraense foi tirado de algum baú da memória para tornar-se refrão de baladas ufanistas de quem não quer dividir o que já está, há muito dividido!
Afinal, o que tem a ver um cidadão de Faro com um de Tailândia ou de Soure? Qual a relação entre o cara que mora em Bonito, o caboclo de Curuá, ou ainda algum roceiro de Bannach? Não estou falando grego: estes são alguns dos 144 municípios desse extenso Pará, de cultura tão diversa.
Os Parás divididos por linhas imaginárias que mal representam qualquer territorialidade, foram expostos visceralmente nesta campanha. Todos, até o governador do Estado (que ficou conhecido na campanha como “SimNão Jatreme”, por sua postura vacilante, ora dizendo-se neutro, ora vociferando NÃO), têm consciência de que o Pará não será mais o mesmo a partir do dia 12/12, independente do resultado das urnas.
Mas o principal mérito da campanha, com certeza, foi fazer com que o povo paraense também descobrisse que o Pará não é só um, e de repente cada um paraense de Belém resolvesse proclamar o seu próprio Pará, embalado pela batuta do publicitário-mor do tucanato paraense, o papa-chibé Orly Bezerra. A cantora Fafá de Belém vaticinou, entre prantos e cantos em um dos programas ufanistas de Orly, que ninguém divide “o meu Pará”!
O Pará de Fafá é o mesmo de Ganso, o grande jogador santista, de Dira Paes, a atriz global de sucesso, e de Leila Pinheiro e Nilson Chaves, entre outras celebridades do mundo artístico paraense que foram declarar seu voto em clipes no estilo “We are the world”. Para quem do outro lado acredita que o Pará não é esse de Belém, destilou-se o ódio contra aqueles que um dia embalaram nossos ouvidos com a genuína música paraoara (ou parauara), com o gosto do tucupi azedo que os belenenses adoram (eu aprendi a gostar também do tucupi doce de Santarém).
Como paraense de Belém, entendo o sentimento de todos os que participaram da campanha e e empenharam em negar que existe uma divisão. Nós, paraenses de Belém, somos domesticados desde pequenos a entender que o Pará termina em Ananindeua, um pouco além da área metropolitana. O Pará é um signo, um mantra que sobrevive das lembranças de um passado pujante e esquece o caos e as agruras do povo na corda do Círio de Nazaré. O Pará, do tacacá ao tecnobrega, não bebe na fonte dos outros Parás. As demais regiões são apenas lugares exóticos onde um bom paraense de Belém vem desfrutar férias, depois de cansar do sal de Salinas ou do “algodão” de Algodoal.
É esse o Pará da chorosa Fafá que nenhum paraense de Belém quer ver dividido. Fafá que já foi de Belém do Pará (hoje é mais de Portugal), um dia até tentou tirar o codinome Belém num de seus primeiros discos, mas recuou a ser repreendida pela elite parauara. É essa Fafá que chora um Pará que ela mesma renegou um dia e que ainda não conhece tão bem… Mas não deixarei de ouvir Fafá, por conta disso. Acredito que continuaremos sendo amazônidas, convivendo numa grande área que terá que se dividir, seja agora após o plebiscito, seja em outro momento qualquer.
Helenilson Pontes: o político “banana” que merecemos!
Esta foi a única campanha da história do Brasil onde um marketeiro de renome internacional foi alvo de campanha sórdida, movida pela mídia do Pará de Belém. Duda Mendonça, de herói do marketing nacional virou bandido saqueador, e todos os seus podres foram reverberados por uma mídia raivosa comandada por Maioranas e Barbalhos.
E Duda atacou o coração do tucanato com peças que expressaram o descrédito dos paraenses, aqueles de Belém, no seu líder maior, Simão Jatene. Aliás, o Pará de Belém não tem líderes políticos, tem apenas arremedos de caudilhos, órfãos baratistas ou não. Não que isso não se repita no Pará de Carajás ou no Pará do Tapajós. Aqui e alhures também temos deficiência de políticos sérios, mas isto não quer dizer que não seja legítimo o desejo de se emancipar. Esse desejo não é apenas uma pretensão de “políticos oportunistas” como quis fazer crer a campanha orlysta.
Aliás, enquanto todos os políticos em cada região se uniram em torno da mesma causa, SIM ou NÃO, Santarém vai ter que conviver com mais um “político banana” em sua recente história. Repetindo o folclórico Odair Corrêa (o vice dos mil e um seguranças), o vice-governador, o santareno (será?) Helenilson Pontes se acovardou e comeu abiu. E mesmo quando o “chefinho querido” saiu em campo para defender o Pará de Belém, Helenilson ficou posando de bom moço no papel que mais adora representar: de iluminado-tecnocrata-tributarista-engravatado-reunindo-com-ministros.
Não só se calou covardemente, como impediu que os nordestinos que ainda acreditam nele por aqui, não dessem qualquer contribuição para a campanha do SIM! Helenilson é a Ponte que caiu, nesse plebiscito. É o político-banana da hora, que merecemos…
O desejo secular reprimido e a vazão nas novas mídias. As diferenças culturais seculares, o desejo de desmembrar – naturalmente – aquele gigante adormecido conhecido como “Província do Grão-Pará e Maranhão”, nomenclatura imposta pelo colonizador português que nunca respeitou as diversas culturas do norte e nordeste (tapajoara, marajoara, manauara e tantas outras), permearam os sonhos daqueles que lideraram em séculos passados o surgimento de novos territórios amazônicos e nordestinos. Mas o Pará e o Amazonas continuam grandes, ainda sufocando algumas destas culturas em seus territórios. Nos últimos 60 anos, várias tentativas foram feitas através de projetos apresentados no parlamento, até que em maio deste ano, fomos quase que surpreendidos por uma votação na Câmara Federal que nos jogou no colo um pleito plebiscitário.
O paraense de Belém, de repente, foi sacudido por algo que não conhecia. E foi aproveitando este desconhecimento que a campanha orlysta privilegiou o marketing ufanista e tacanho sobre o “grande Pará” e o “Parazinho”. Siglas como FPE, PIB, IDH, IPEA, IDESP entremeadas de cores vermelhas da bandeira contra o verde do SIM, acenderam discussões apaixonadas e passaram a fazer parte do nosso cotidiano. Os políticos do SIM foram execrados como “esquartejadores”, “separatistas”, “oportunistas”, “estrangeiros”, num festival de xenofobia e discriminação de políticos da elite de Belém, de olho nas eleições da capital.
A internet foi invadida por hordas de internautas numa batalha de palavras, muitas vezes permeada pela passionalidade em detrimento do raciocínio. Ou com ataques vis com incitação à violência, de uma virulência exacerbada.
Como sempre acontece em campanhas eleitorais, os programas de rádio e TV não conseguiram ir a fundo no debate das questões principais. E os debates televisivos entre os líderes das Frentes então, foram meros shows de pantomima perdidos entre minutos e segundos de réplicas e tréplicas, onde no final todo mundo venceu, de acordo com o programa do dia seguinte…
Na segunda-feira saberemos qual estratégia de marketing conseguiu alcançar seus objetivos. Este jornalista, que um dia já foi paraense de Belém, agora é e sempre será paraense do Tapajós. E seja SIM ou seja NÃO, segunda-feira estarei pronto para as novas batalhas que todos os tapajoaras enfrentarão, sem medo de ser feliz (menos o banana do Helenilson…).
* É jornalista, nascido em Belém do Pará e renascido em Santarém do Tapajós.
Bajaras (canoas) ainda estão bloqueado o rio Amazonas, em frente a Santarém, para chamar atenção do mundo para a luta pela criação do Estado do Tapajós.
Eles tentam impedir a passagem de navios bauxiteiros com destino ou saída de Porto Trombetas, em Oriximiná, sede da MRN (Mineração Rio do Norte). Um navio conseguiu furar o bloqueio. Outro não teve a mesma sorte.
O protesto, iniciado hoje (9), não tem hora para encerrar.
Fonte: http://www.jesocarneiro.com.br/
Grupo de Teatro da Unipop apresenta “Catimbas, Curimbós e Canalhices – Uma Outra História do Brasil”
O Grupo de Teatro do Instituto Universidade Popular apresenta no período de 8 a 11 deste mês, no Memorial dos Povos Indígenas, localizado no Complexo Ver-o-Rio, o espetáculo “Catimbas, Curimbós e Canalhices – Uma Outra História do Brasil”. O roteiro se baseia na “espetacularidade” da história de criação do Brasil, um texto de autoria de Hudson Andrade e Carlos Correia Santos, sob a direção de Alexandre Luz, coordenador do Programa de Arte-educação da Unipop.
A história se inicia com os representantes das três etnias - brancos, negros e índios-, que, em meados do século XIX, aguardam a chegada da família real, a qual, segundo rumores, desembarcaria na ilha de Mosqueiro, região distrital de Belém do Pará. A notícia cria discórdia entre os personagens, considerando que um dos grupos defende a idéia da estada da realeza na Bahia e outro no Rio de Janeiro.
No entanto, os lusitanos que vêm pelo mar são mercenários enviados pela Coroa para sondar a situação da, então, colônia americana, a fim de melhor receber a verdadeira realeza. Acontece que os que aqui esperam acreditam que os mercenários são os próprios monarcas. Fato que, ao ser percebido, não é desmentido pelos portugueses, já que estes, por sua vez, enxergam vantagens valiosas com a confusão.
“Catimbas, Curimbós e Canalhices” trata, com humor escrachado, da formação social, cultural e econômica do que foi um dia a Ilha de Vera Cruz; fazendo um rápido paralelo com situações, hoje, vivenciadas em nossa sociedade.
Na trama, o enredo retrata também algumas situações cotidianas de um grupo de teatro mambembe, no qual os personagens, em algum momento, confundem-se com os próprios atores e atrizes do Grupo de Teatro da UNIPOP. A atmosfera antropológica criada por ocasião da chegada de estrangeiros a estas terras, dando novos rumos a uma história – que embora existente – é desconhecida para o dito velho mundo “civilizado”, suscita algumas reflexões: E se não tivesse começado na Bahia? E se fosse mais ao Sul? Ou mais ao Norte? E se fossem os franceses e não os portugueses?
Desta forma, o Grupo de Teatro da UNIPOP leva seu espetáculo de 2011 de volta ao começo do Século XIX para o público repensar um momento de transformação nas relações luso-brasileiras e fazer de “Catimbas, Curimbós e Canalhices – Uma Outra História do Brasil”, uma nau para chegarmos a tantos outros Brasis.
Ficha técnica
· Elenco:
Amanda Santos, André Souza, Claudia Santiago, Gabriela Mendonça, Geovani Moia, Jorge Anderson, Maria Silva, Nete Pamplona, Vanda Lopes, Walter D’Carmo e Washington Luis;
· Texto: Hudson Andrade e Carlos Correia Santos;
· Cenário: Jorge Cunha e Anderson Pimentel;
· Figurino: Iracema de Sousa, Nete Ribeiro e Rodolfo Gomes;
· Arte em Cartaz e Estandartes: Andrei Souza;
· Operadora de Som: Letícia Ramos;
· Operador de Luz: Adriane Gonçalves;
· Direção: Alexandre Luz
Serviço:
Espetáculo: “Catimbas, Curimbós e Canalhices – Uma Outra História do Brasil”
Data: 8, 9 e 10/ 12, às 20h, e no dia 11/12 às 19h
Endereço: Memorial dos Povos Indígenas, localizado no Complexo Ver-o-Rio
Contato: (91) 8399-0807 (Alexandre Luz) ou 3224-9074 (UNIPOP)
Entrada Franca
Mudança no reajuste do piso preocupa a CNTE
A CNTE se mantém na luta junto aos parlamentares da Câmara dos Deputados para reverter a decisão tomada pela Comissão de Finanças e Tributação da Casa, que fixou o INPC/IBGE como único fator de atualização do piso nacional do magistério.
As informações que chegam dão conta de que governadores e prefeitos estão unidos contra o substitutivo do Senado, que previa aumento real do piso para 2012 na ordem de 22,23%. O referido substitutivo mantinha o cálculo de reajuste vinculado ao valor mínimo do FUNDEB, porém incidiria sobre a diferença entre os dois últimos anos de vigência do Fundo da Educação Básica.
Caso prevaleça apenas a correção da inflação pelo INPC, os prejuízos para o piso e, consequentemente, para a educação brasileira serão incalculáveis. A medida constituirá um duro ataque ao magistério, por parte dos governos federal, estaduais e municipais, e significará um contrassenso dos/as deputados/as ante a atual discussão sobre o Plano Nacional de Educação (PNE), que aponta metas específicas para a valorização do magistério e dos demais profissionais da educação. Significará, também, a negação dos desígnios da Lei 11.738 e a transformação dos esforços pela valorização de nossa categoria, depreendidos nos últimos anos, em pura retórica.
Alertamos a sociedade, os congressistas e os gestores das três esferas de governo para a gravidade do assunto, que poderá impor mais sacrifícios, perdas e decepções a uma categoria que, historicamente, sofre com os baixos salários, com a dupla e tripla jornadas de trabalho e com toda sorte de enfermidades decorrentes da exaustão provocada pelo desempenho da profissão.
A CNTE, portanto, reitera a necessidade de se garantir o mecanismo já aprovado no Senado para o reajuste do PSPN, por tratar-se de condição indispensável para a valorização do magistério e para a garantia do aprendizado com qualidade em nossas escolas publicas, onde estudam os filhos e filhas da maioria da população brasileira. Ademais, a fórmula é fruto de acordo que resultou na aprovação em uma das Casas do Congresso, e que agora tenta-se romper casuisticamente.
Fonte: CNTE
CNTE defende aplicação de piso vinculado à carreira
A pesquisa da USP com base na Pesquisa por Amostragem de Domicílios (PNAD/IBGE-2009) comprova que a recorrente economia de recursos do Estado, que concedeu ao magistério a possibilidade de possuir mais de um vínculo empregatício no setor público e que exime os gestores de investir na formação inicial e continuada e nas condições de trabalho da categoria, cada vez mais colide com a perspectiva de melhorar a qualidade da educação. Segundo a CNTE, ao invés de reverter essa realidade, as administrações públicas investem na responsabilização dos educadores pela baixa qualidade dos sistemas de ensino, cuja gestão, em sua maioria, não permite a participação da comunidade escolar nos processos de formulação, aplicação e verificação das políticas públicas.
Para a CNTE é óbvio que os problemas inerentes à qualificação profissional do magistério não se restringem ao salário. Mas esse, conjugado com a expectativa de carreira e de valorização social da profissão, é o maior deles. Corroborando essa tese, o diagnóstico da Meta 17 do Plano Nacional de Educação, que trata da remuneração do magistério, revela que o professor com formação de nível médio (curso de magistério) detém renda média 38% acima dos demais trabalhadores brasileiros com escolaridade similar. Contudo, essa relação se inverte, na mesma proporção, quando o professor com formação de nível superior (maioria no Brasil) tem sua renda comparada com os demais trabalhadores de formação universitária. E isso é um fator de desestímulo à qualificação, ainda mais quando o próprio professor precisa arcar com o ônus financeiro de sua formação ou quando não dispõe de concessão de tempo pelos gestores para fazê-la adequadamente.
"O piso nacional do magistério - vinculado à carreira - representa um primeiro passo na direção da equidade laboral dos educadores no país, condição fundamental para elevar a qualidade da educação com equidade. Mas muitos governadores e prefeitos insistem em não observar a norma federal que também prevê jornada de trabalho para o professor com tempo dedicado às atividades extra-sala de aula (preparação e correção de atividades, reuniões pedagógicas e com os pais, formação no local de trabalho, dentre outras)", esclarece a CNTE. (Diário de Natal)
Fonte: CNTE